
terça-feira, 31 de julho de 2012
FILOSOFIA DO BUDISMO

domingo, 29 de julho de 2012
Vírus Mentais
segunda-feira, 23 de julho de 2012
O Gongyo e a sua tradução
"Myoho-renge-kyo — Sutra de Lótus
Ho-ben-pon-dai-ni — Capítulo Hoben (Meios)
Niji sesson — Nesse momento
Ju sanmai — o Buda levantou-se
Anjo ni ki — serenamente de sua meditação
Go shari-hotsu — e dirigiu-se a Sharihotsu, dizendo:
Sho-bu-ti-e — "A sabedoria dos budas.
Jinjin muryo — é infinitamente profunda e imensurável.
Go ti-e mon — O portal dessa sabedoria é difícil de compreender
Nangue nannyu — e de transpor.
Issai shomon — Nenhum dos homens de erudição
Hyaku-shi-butsu — ou de absorção
Sho-fu-no-ti — é capaz de compreendê-la."
Sho-i-sha-ga — Qual é a razão disso?
Butsu-zo-shingon —Um buda é aquele que serviu a centenas
Hyaku-sen-man-noku — a milhares, a dezenas de milhares,
Mushu-sho-butsu — a incontáveis budas
Jin-gyo-sho-butsu — e executou um número incalculável de práticas religiosas.
Muryo-doho — Ele empenha-se corajosa e ininterruptamente
Yumyo-shojin — e seu nome é universalmente conhecido.
Myosho-fu-mon — Um Buda é aquele que compreendeu a Lei insondável
Joju-jinjin — e nunca antes revelada,
Mi-zo-u ho — pregando-a de acordo
Zui-gui-sho-setsu — com a capacidade das pessoas,
Ishu-nangue — ainda que seja difícil compreender a sua intenção.
Shari-hotsu — Sharihotsu
Go-jo-ju-butsu-i-rai — desde que atingi a iluminação
Shu-juin nen — tenho exposto meus ensinos
Shu-ju-hi-yu — utilizando várias histórias sobre relações causais,
Ko-en-gon-kyo — parábolas e inúmeros meios
Mu shu-ho-ben — para conduzir as pessoas
In-do-shu-jo — e fazer com que renunciem
Ryo-ri-sho-jaku — aos seus apegos a desejos mundanos.
Sho-isha-ga — Qual a razão disso?
Nyo-rai-ho-ben —A razão está no fato de o Buda
Ti-ken-ha-ra-mitsu — ser plenamente dotado dos meios
Kai-i-gu-soku — e do paramita da sabedoria.
Shari-hotsu — Sharihotsu,
Nyo-rai-ti-ken — a sabedoria do Buda
Ko-dai-jin-non — é ampla e profunda.
Mu-ryo-mu-gue — Ele é dotado de imensurável benevolência,
Riki-mu-sho-i— ilimitada eloqüência,
Zen-jo - poder,
Ge-da - coragem,
San-mai — concentração,
Jin-myu-mu-sai — liberdade e samadhis (meditação),
Jo-ju-i-sai - aprofundou-se no reino do insondável
Mi-zo-u-ho — e despertou para a Lei nunca antes revelada.
Shari-hotsu — Sharihotsu,
Nyo-rai-no — o Buda é aquele
Shu-ju-fun-betsu — e que sabe como discernir
Gyo-se-sho-ho — e expor os ensinos habilmente.
Gon-jin-nyu-nan — Suas palavras são ternas e gentis
E-ka-shu-shin — e podem alegrar o coração das pessoas.
Shari-hotsu — Sharihotsu,
Shu-yo-gon-shi — em síntese, o Buda compreendeu
Mu-ryo-mu-hen — perfeitamente a Lei ilimitada,
Mi-zo-u-ho — infinita
Bu-shitsu-jo-ju — e nunca antes revelada.
Shi shari-hotsu — Chega, Sharihotsu!
Fu-shu-bu-setsu — Não vou mais continuar pregando
Sho-i-sha-ga — Por quê?
Bu-sho-jo-ju — Porque a Lei que o Buda revelou
Dai-iti-ke-u — é a mais rara
Nan-gue-shi-ho — e a mais difícil de compreender.
Yui-butsu-yo-butsu — A essência real de todos os fenômenos
Nai-no-ku-jin — somente pode ser compreendida e partilhada entre os budas.
Sho-ho-ji-so — Essa realidade
Sho-isho-ho — consiste de:
Nyo-ze-so — aparência,
Nyo-ze-sho — natureza,
Nyo-ze-tai — entidade,
Nyo-ze-riki — poder,
Nyo-ze-sa — influência,
Nyo-ze-in — causa interna,
Nyo-ze-en — relação
Nyo-ze-ka — efeito latente,
Nyo-ze-ho — efeito manifesto
Nyo-ze-hon-ma-ku-kyo-to — e consistência do início ao fim.
Myo-ho-renge-kyo — Sutra de Lótus
Ji-ga-toku-bu-rai — Desde que atingi o estado de Buda,
Sho-kyo-sho-ko-shu — infindáveis Kalpas
Oku-sai-a-so-gui — Constantemente
Jo-se-po-kyo-ke — venho pregando, ensinando e propagando
Mu-shu-oku-shu-jo — a Lei a milhares de seres vivos,
I-do-shu-jo-ko — Como um meio hábil,
Ho-ben-guen-ne-han — aparento entrar no nirvana para salvar todas as pessoas.
Ni-jitsu-fu-metsu-do — Mas, na realidade, não entro em extinção.
Jo-ju-shi-se-po — Sempre estou aqui ensinando a Lei.
Ga-jo-ju-o-shi — Sempre estou aqui.
Ryo-ten-do-shu-jo — as pessoas de mente distorcida não conseguem me ver
Sui-gon-ni-fu-ken — mesmo quando estou bem perto delas.
Shu-ken-ga-metsu-do — Quando essa multidão de seres vê que entrei no nirvana,
Ko-ku-yo-sha-ri — consagra muitas oferendas às minhas relíquias.
Guen-kai-e-ren-bo — Todos abrigam o desejo único e ardente de contemplar-me.
Ni-sho-katsu-go-shin — Quando esses seres realmente se tornam fiéis,
Shu-jo-ki-shin-buku — honestos, justos e de propósitos pacíficos,
Shiti-jiki-i-nyu-nan — quando ver o Buda é o seu único pensamento,
I-shin-yo-ken-butsu — não hesitando mesmo que isso custe a própria vida,
Fu-ji-shaku-shin-myo — então, eu apareço
Ku-shutsu-ryo-ju-sen — sobre o Sagrado Pico da Águia.
Ga-ji-go-shu-jo — Nesse momento, digo à multidão de seres:
Guen-u-metsu-fu-metsu — algumas vezes aparento entrar no nirvana.
Ga-bu-o-hi tyu — que desejam respeitosa e sinceramente crer
I-setsu-mu-jo-ho — então eu também, junto a eles, pregarei esta Lei insuperável.
Tan-ni-ga-metsu-do — todos aqui insistem em pensar que eu morri.
Ga-ken-sho-shu-jo — Quando vejo os seres afogados
Motsu-zai-o-ku-kai — em um mar de sofrimentos
Ko-fu-I-guen-shin — eu não me exponho,
Ryo-go-sho-katsu-go — para dessa forma fazer com que anseiem contemplar-me.
In-go-shin-ren-bo — Então, quando seu coração se enche de ansiedade,
Nai-shitsu-i-se-po — finalmente apareço e ensino a Lei para eles.
Jin-zu-riki-nyo-ze — Assim são meus poderes místicos.
O-a-so-gi-ko — Por infinitas kalpas,
Jo-zai-ryo-ju-sen — sempre estive no Pico da Águia e em muitos outros lugares.
Gyu-yo-sho-ju-sho — Enquanto os seres presenciam
Shu-jo-ken-ko-jin — o final de um kalpa
Ga-shi-do-an-non — esta minha terra
Ten-nin-jo-ju-man — permanece segura e tranqüila
On-rin-sho-do-kaku — sempre cheia de seres humanos e seres celestiais.
Shu-ju-ho-sho-gon — Vários tipos de gemas adornam
Ho-ju-ta-ke-ka — seus corredores e pavilhões, jardins e bosques
Shu-ju-sho-yu-raku — Árvores preciosas dão flores e frutos em profusão, Sho-ten-gyaku-ten-ku — sob as quais os seres vivem felizes e tranqüilos.
Jo- sa-shu-gui-gaku — As divindades fazem repicar os tambores celestiais interpretando,-
U-man-da-ra-ke — sem cessar, a música mais diversa. Uma chuva de flores de mandara cai
San-butsu-gyu-dai-shu — espalhando suas pétalas sobre o Buda e a grande assembléia.
Ga-jo-do-fu-ki — Minha terra pura é indestrutível,
Ni-shu-ken-sho-jin — porém, a multidão a vê
Nyo-ze-shitsu-ju-man — mergulhada em sofrimentos, angústia e temor.
Ze-sho-zai-shu-jo — Esses seres, devido a suas várias ofensas e causas
I-aku-go-in-nen — provenientes de suas más ações,
Sho-u -hu-ku-doku — Mas os que praticam os caminhos meritórios,
Nyu-wa-shiti-jiki-sha — que são nobres e pacíficos, corretos e sinceros,
So-kai-ken-ga-shin — todos me vêem aqui em pessoa,
Waku-ji-i-shi-shu — Às vezes para essa multidão exponho
Setsu-butsu-ju-mu-ryo — que a duração da vida do Buda é imensurável;
Ku-nai-ken-bu-sha — e para aqueles que o vêem somente após um longo tempo
I-setsu-butsu-nan-ti — exponho o quanto é difícil encontrar-se com ele.
Ga-ti-riki-nyo-ze — O poder de minha sabedoria é tamanho
E-ko-sho-mu-ryo — que seus raios iluminam o infinito.
Ku-shu-go-sho-toku — resulta de uma prática muito longa.
To-dan-ryo-yo-jin — Livrem-se das dúvidas definitivamente,
Butsu-go-ji-pu-ko — pois as palavras do Buda são sempre verdadeiras, nunca falsas.
Nyo-i-zen-ho-ben — O Buda é como um excelente médico
I-ji-o-shi-ko — que se vale de meios hábeis
Jitsu-zai-ni-gon-shi — para curar seus filhos iludidos.
Ku-sho-ku-guen-sha — Eu sou o pai deste mundo e salvo aqueles que sofrem e os que se encontram aflitos.
I-bon-bu-ten-do — Devido à ilusão das pessoas,
Jitsu-zai-ni-gon-metsu — apesar de eu estar vivo, anuncio que entrei no nirvana.
I-jo-ken-ga-ko — Pois se me vissem constantemente,
Ni-sho-kyo-shi-shin — a arrogância e o egoísmo tomariam conta de seu coração.
Ho-itsu-jaku-go-yaku — Ignorando as restrições, entregariam–se aos cinco desejos,
Da-o-aku-do-tyu — e cairiam nos maus caminhos da existência.
Ga-jo-ti-shu-jo — Estou sempre ciente de quem são as pessoas
Gyo-do-fu-gyo-do — que praticam o Caminho e as que não o praticam,
Zui-o-sho-ka-do — e, em resposta às suas necessidades de salvação
Mai-ji sa-ze-nen — Medito constantemente:
Toku-nyu-mu-jo-do — ao caminho supremo
Soku-jo-ju-bu-shin — e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?"Fonte - Preleção dos capítulos Hoben e Juryo, Daisaku Ikeda
A Visão Budista Sobre a Morte
"O temor que as pessoas sentem em relação à morte deve-se em grande parte ao que a mídia e a própria cultura ocidental nos transmitem desde pequenos. A idéia de morte que nos é passada geralmente está vinculada à escuridão, à tristeza e a ambientes fantasmagóricos e acabamos por associá-la sempre a imagens negativas, ruins e ao fim de tudo. O Budismo de Nitiren Daishonin é maravilhoso, pois enfoca a morte como um dos aspectos da vida. Não há por que temê-la. O Presidente Ikeda, por exemplo, faz um paralelo entre a morte e o sono. Assim como nosso descanso noturno é necessário para acordamos bem dispostos na manhã seguinte, a morte representa um estado latente durante o qual as energias são recarregadas para o renascimento ou uma nova vida. Segundo o budismo, a vida é eterna. Ela não acaba com a morte.
Nas escrituras de Nitiren Daishonin consta uma passagem que fala que, no momento da morte, mil budas surgirão diante de nós e estenderão suas mãos para conduzir-nos, e o presidente Ikeda diz que esses budas, na realidade, correspondem às pessoas que estão orando nesse momento crucial da nossa vida. É nesse momento que perceberemos quantas pessoas ajudamos a salvar ou a encontrar o caminho da felicidade. Segundo o budismo, a condição de vida dos familiares e das pessoas próximas que estão vivas é exatamente o estado em que o falecido se encontra. Se a família está angustiada, a condição do falecido se encontra da mesma maneira. A visão budista da eternidade da vida e do carma é muito mais racional e aceitável do que a idéia de que existe um ser superior controlando o destino de cada um na face da Terra e que todos os acontecimentos são de vontade divina. O que somos e a vida que temos hoje são efeitos de causas cometidas nesta existência e nas anteriores. Se passamos por sofrimentos é porque temos “dívidas” a pagar. Como todos sabem, se temos dívidas, enquanto não as pagamos totalmente, os cobradores continuarão a nos enviar as contas e a nos perseguir. Após passarmos pelo estágio de vida latente, que é a morte, renascemos ou iniciamos uma nova vida a partir daquele ponto em que paramos na existência anterior. Como exemplo é como fumar um cigarro. Não é porque o reacendemos que ele voltará ao tamanho normal. Ele continuará a queimar de onde parou. Então não adianta lamentarmos dizendo que nunca fizemos mal a ninguém, que não merecemos essa vida de sofrimentos. Embora muitos relutem em aceitar, é assim que a vida é feita. A vida é resultado das ações que praticamos durante todas as existências. O que é fantástico no budismo é que podemos amenizar os efeitos e até mesmo mudar o rumo de nossa vida por meio da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo e de nossa dedicação em prol das pessoas e do Kossen-rufu. Podemos direcionar nossa vida para um futuro de felicidade, independente do que possamos ter feito no passado. O que determina o futuro é o que faremos neste exato momento. O budismo esclarece que o carma é formado por nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações, desta e de outras existências. Tudo o que ocorre em nossa vida são efeitos. Por exemplo, quando deparamos com a doença, a primeira reação que temos é combatê-la, mas ao refletirmos pelo ponto de vista budista, estamos apenas combatendo o efeito, e o efeito não se combate. Pela lógica, procuramos um médico. Contudo, há casos que os médicos não conseguem resolver e que aquele que recita o Nam-myoho-rengue-kyo consegue. Porquê? Porque o Daimoku atinge diretamente a causa. Sim, exatamente. Ele age diretamente na causa. Numa orientação a respeito do Gongyo, o presidente Ikeda diz que quando a família continua uma prática consistente mesmo sofrendo a perda de um ente querido, todos os caracteres do Gongyo proferidos pelos familiares transformam-se em um só e posteriormente em um Buda que se desloca até o domínio onde a pessoa falecida se encontra e transmite a ela que foi enviado pelos familiares, e diz que isso automaticamente possibilita a sua iluminação. Para sermos felizes, precisamos nos desfazer de pensamentos negativistas e errôneos. As insatisfações, as lamentações só atrasam a nossa revolução humana. É por isso que Nitiren Daishonin afirma que o que mais importa no budismo é o coração. A sinceridade e o espírito de gratidão sem dúvida são essenciais. Temos de criar uma tendência de vida sempre positiva e otimista. Esse é um ponto muito importante, pois o budismo explica que assim como cada um de nós possui os dez estados de vida, o Universo também os tem. Então quando falecemos, nossa vida funde-se exatamente com o estado do Universo referente à condição em que nos encontrávamos no momento da morte. Quem morre no estado de Inferno, funde-se com o estado de Inferno do Universo. Se a pessoa estava no estado de Alegria, funde-se com o estado de Alegria do Universo e assim por diante. É por isso que devemos sempre procurar mudar nossa tendência básica de vida e fazer sempre causas positivas dia a dia para mantermos um estado de vida elevado. O poder do Daimoku é imensurável, capaz de transformar até mesmo a vida de alguém que falece no estado de Inferno. O Daimoku que os familiares oram diariamente em memória dos falecidos contribui para isso. Entendemos que tudo depende da própria pessoa no tocante a como encarar a morte, mas para que possamos ter uma morte tranqüila e renascer logo, é importante que cumpramos em vida a promessa que fizemos de renascer neste mundo e conduzir as pessoas à felicidade, que é a ação do bodhisattva. Uma vida dedicada a esse propósito certamente atingirá a iluminação. É isso que o budismo ensina, que o mestre ensina e é esse o caminho que devemos seguir."
Fonte T.C. nº 411, 412, e 413 seleção do texto Doralice e Paulo Bruno, 01/07/2003
Matéria retirada do link http://www.budanaweb.com/2009/06/visao-budista-sobre-morte.html
sábado, 4 de dezembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Dez estados de vida
Edição 2060 - Publicado em 20/Novembro/2010 - Página A6
Estado de Buda: se a água sacia minha sede, não quero saber onde é a fonte
Imagine alguém que não queira morrer de sede. Antes de qualquer explicação sobre a água, ele quer bebê-la até que esteja satisfeito. A partir daí, compreenderá tudo o que lhe for explicado. Para o estado de Buda existem várias descrições, mas nenhuma explicação substitui a experiência de viver tal condição. Uma vez que habitamos esse estado, podemos compreender tudo. E o foco do Budismo Nitiren praticado pela SGI está em realizar o Kossen-rufu a partir da iluminação de cada pessoa.
O nome
O principal significado de Buda é “O Iluminado”.
A iluminação
É quando “a luz da sabedoria ilumina todo o universo e erradica a escuridão fundamental inerente na vida humana. O espaço vital do Buda entra em fusão com o universo. A vida se torna o cosmos e, num único instante, o fluxo vital estende-se e abarca todo o passado e todo o futuro. Em cada momento presente, o eterno fluxo vital do cosmos jorra como uma imensa fonte de energia. Na vida do estado de Buda, cada instante do presente contém a eternidade, pois toda a energia vital do cosmos está contida num único instante da vida. A pessoa que se encontra no estado de Buda quase não percebe a passagem do tempo físico, pois sua vida é plena e feliz a cada instante, como se ela estivesse vivenciando a alegria de viver por toda a eternidade”. (Vida — Um Enigma, uma Joia Preciosa, pág. 170.)
Um Buda na atualidade
“No mundo atual, a pessoa que expressa a natureza de Buda é imediatamente vista como uma pessoa de bom senso. Ela se relaciona bem com todos, possui um forte senso de responsabilidade e forte fé, é gentil com os outros e raciocina de modo flexível. E, o mais importante, possui benevolência, sabedoria e criatividade imensas.” (Ibidem).
Vivenciar é o que importa
A descrição do estado de Buda vai além das palavras. A melhor descrição feita até hoje é somente uma análise parcial dos atributos do estado de Buda. Para compreendê-lo é preciso vivenciá-lo. Atingir o estado de Buda agora, em meio à vida diária, é o objetivo da prática do Budismo Nitiren.
Nós podemos
Nitiren Daishonin escreveu: “O estado de Buda é o mais difícil de manifestar. Porém, como o senhor possui os nove outros estados, deveria também acreditar que possui o estado de Buda”. Acreditar nisso deixa tudo mais fácil. O grande impedimento da prática consiste em não acreditar que se pode atingir, não se sentir merecedor. Esse impedimento é conhecido como “buscar a felicidade fora de si mesmo”. Então, como não acredito que posso, não desejo atingir o estado de Buda. O desejo que conduz à iluminação é fundamental para a prática da fé.
Por que o desejo é fundamental?
Um Buda entende outro Buda. A descrição do estado de Buda até existe, mas é incomprensível para alguém dominado pela escuridão fundamental. É difícil descrever a iluminação em palavras, porém, o desejo de uma pessoa pode ser transmitido com facilidade e, então, compreendido pelos outros. Afinal, o desejo é algo comum a todos os estados, inclusive o de Buda.
O grande desejo
Todas as formas de vida existentes no universo, independentemente de sua condição temporal, são, em essência, direcionadas para a natureza de Buda. Isso significa que o grande desejo é viver numa condição de felicidade absoluta. Esse grande desejo é mais forte que o amor, o ódio, a razão etc. Ele está dentro de todas as pessoas, lá nas profundezas e, com frequência, encoberto por funções de outros desejos e da ignorância. Mas, o grande desejo existe dentro de todos. Por isso, é considerado o maior dos desejos humanos. O objetivo é despertá-lo e fazer com que ele guie todos os nossos pensamentos, palavras e ações.
O nome do grande desejo
Esse grande desejo inerente a todos é o grandioso desejo pela felicidade de todas as pessoas. Isso é a manifestação humanística da vida do Buda. Por isso, todos podem compreendê-lo e abraçá-lo. O nome dado a esse grande desejo é Kossen-rufu.
O que o estado de Buda tem de especial?
Em qualquer estado de vida temos esse grande desejo. Entretanto, no estado de Buda, temos a firme determinação de torná-lo realidade, independentemente do que aconteça. Isso diferencia o estado de Buda dos outros nove. Um Buda é movido pelo juramento de “tornar todas as pessoas iguais a mim, sem nenhuma distinção entre nós”.
O grande desejo nos outros estados
Nos demais estados, existe o grande desejo, só que ele não é definido pelo desejo de salvar todas as pessoas e, sim, como qualquer outra coisa. Isso é viver na ilusão. Por exemplo, alguém no estado de Ira acredita que viver esse grande desejo é a inveja, é superar os outros a todo custo.
Um caminho prático
Uma pessoa que faz desse grande desejo do Buda o seu desejo e se empenha com seriedade para cumprir sua promessa, sem nunca retroceder na fé, manifesta o estado de Buda. O presidente Ikeda afirma: “O budismo resume-se na prática. Isso significa fazer uma determinação pessoal e atuar prontamente para concretizá-la, independentemente dos obstáculos que surgirem. Se não estamos nos esforçando para abrir o caminho que está a nossa frente, então, o que estamos fazendo não pode ser chamado de prática budista. Só poderemos entrar no caminho do estado de Buda se rea lizarmos incansáveis esforços com base na mesma determinação do Buda”. (Terceira Civilização, edição no 406, junho de 2002, pág. 4.)
Mas e o meu carma?
O carma não impede a iluminação. O Buda despertou para o presente. Uma pessoa iluminada é alguém com a força de mudar o presente. O passado não existe mais, e o futuro ainda não veio.
O que o presente tem de especial?
O presente é efeito do passado, ao mesmo tempo em que é a causa para o futuro. E ele existe neste instante, não precisa esperar. Dominada pela escuridão, a pessoa acredita que o presente é somente efeito do passado. Ela ignora o potencial de mudança existente nas causas do presente. Por isso, vive sendo arrastada pelo carma negativo.
O poder da causalidade da Lei Mística
Se uma pessoa pode realizar qualquer causa no presente, ela pode realizar a causa da iluminação. Por que não fazer a melhor delas? Isso é sabedoria. Uma vez que a causalidade da Lei Mística ou a verdadeira causa se manifesta no presente, mudamos o passado, o presente e o futuro.
Motivo da transformação
Os efeitos do passado não desaparecem, mas perdem a força de mantê-lo numa condição de sofrimento e se tornam motivo de transformação da sua condição de vida. Isso é transformar o veneno em remédio.
Os obstáculos e as maldades
Uma vez que a causa feita no presente não corresponde mais ao efeito proveniente do passado, gera transformação. Tal transformação acarreta em obstáculos. Obstáculos e maldades surgem para equilibrar a vida e indicam que algo está mudando, no caso do estado de Buda, para melhor. Por isso, o sábio se alegra. Do ponto de vista da iluminação, os obstáculos e as maldades são motivos de alegria, não de sofrimento. Uma vez que denotam mudança, eles são amenizados. É a famosa amenização do efeito cármico.
Por exemplo
Ao entrar na academia, uma pessoa que possui uma vida sedentária sentirá dores nos primeiros dias. Isso indica que ela mudou seu ritmo de vida. Essas dores serão maiores ou menores de acordo com o tempo em que ela viveu de forma sedentária. Dessa forma, a intensidade dos obstáculos está relacionada com as causas feitas no passado. E quem é culpado pelas dores? Não são os exercícios e, sim, a pessoa que manteve a vida sedentária. Por isso, comece a mudar agora. Um tolo culpa os exercícios ou até os aparelhos da academia e, fatalmente, deixa de fazê-los. Já o sábio, sabendo que a dor é passageira e indica progresso, continua a prática esportiva com toda alegria.
Amenizando o efeito cármico
Efeitos negativos no estado de Buda se tornam causas positivas. Por isso, é amenizado. Não voltam mais. Só se passa por isso uma única vez e sem demora.
Voltando ao desejo
Você pode pensar: “Sabendo de tudo isso, não consigo sentir esse desejo pelo Kossen-rufu do fundo do meu coração. O que fazer?” Em resposta a essa questão, existe o juramento. O juramento tem o poder de manifestar o grande desejo do Buda em nossa vida. Não importa como você se sinta agora ou em que condição esteja, o juramento Seigan pode ser feito agora.
Dois princípios são fundamentais
A unicidade de mestre discípulo e o juramento Seigan formam o caminho direto para a iluminação. Nitiren diz: “Meu desejo é que todos os meus discípulos façam um juramento...”
Uma vida invencível
“Nossa vida pode ser tão fugaz como uma gota de orvalho ou tão insignificante como uma partícula de pó. Mas, dedicando-nos à realização desse ‘grande juramento’ [do Buda] nesta existência, nossa vida se fundirá com o vasto oceano do Sutra de Lótus e continuará por toda a eternidade. Ela se tornará una com a terra da Lei Mística, invencível e eterna. Foi-nos assegurada a incrível condição de vida do estado de Buda.”(Ibidem).
Leia mais
Saiba mais sobre o significado do “juramento” no Budismo Nitiren na revista Terceira Civilização de dezembro de 2010. Esse será o tema de estudo de toda a revista.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Daisaku Ikeda

Daisaku Ikeda, presidente da Soka Gakkai Internacional, nasceu em 2 de janeiro de 1928 . De uma família pobre que ganhava a vida plantando e colhendo algas marinhas comestíveis, conhecidas como nori, era o quinto filho entre oito irmãos.Passou a infância no bairro de Kamata, em Tóquio. Sempre teve uma saúde frágil e por isso constantemente questionava sobre a vida e a morte.
Em 1939, quando irrompeu a Segunda Guerra Mundial, Daisaku Ikeda tinha onze anos de idade. Um ano após, o Japão avançava na guerra, o sofrimento do povo aumentava.
Devido às dificuldades financeiras, a família Ikeda decidiu vender a casa onde vivia e foi morar numa outra ainda em construção. Tiveram de ficar provisoriamente num barraco.
Aos poucos, um a um, os quatro irmãos mais velhos de Daisaku Ikeda foram convocados para a guerra, sendo que o mais velho faleceu em combate na Birmânia em janeiro de 1945.
Com isso, Daisaku Ikeda teve de assumir maiores responsabilidades dentro de casa, ajudando também a cuidar dos irmãos mais novos e a comprar alimentos.
Quando começaram os bombardeios em Tóquio, sua casa foi incendiada.
Na juventude, trabalhava numa fábrica de armamentos e sofria de tuberculose pulmonar. Devido às circunstâncias da época, os cuidados com a saúde eram precários. Todos os dias, ao entardecer, um febre o atacava. Além disso, a tosse era constante. Os médicos chegaram a dizer que provavelmente não chegaria aos trinta anos de idade.
Daisaku Ikeda estava com dezessete anos quando a Segunda Guerra Mundial terminou. Foram tempos sombrios e difíceis devido à derrota do Japão e à ocupação das forças aliadas. O povo estava faminto, sem esperança nem perspectivas no futuro.
Com o fim da guerra, a metalúrgica onde trabalhava foi desativada e ele foi trabalhar numa fábrica de motores e combustão. Começou a freqüentar um curso noturno. Trabalhou também prestando serviço para uma tipografia. Costumava empurrar uma carreta enorme cheia de materiais impressos, que entregava aos editores dos distritos de Guinza e Kanda, em Tóquio.
Nessa época, morava em Morigasaki, no bairro de Omori, numa casa construída por seu pai.
Na cidade de Tóquio, completamente devastada pelos bombardeios, não era possível encontrar alimentos. Por essa razão, Daisaku se deslocava para as cidades vizinhas a fim de conseguir comida para a família. Cada dia era uma luta para Daisaku, que arrastava o corpo doente. O futuro era completamente incerto.
Com dezenove anos, vivendo no período confuso do pós-guerra, em que a ruína do conceito tradicional de valor provocava um vazio no coração dos jovens conscientes, ele preenchia esse vazio espiritual estudando literatura e lendo livros sobre filosofia com um grupo de amigos estudantes.
Nesse grupo, havia um amigo da mesma idade com o qual sempre caminhava à noite na Praia de Morigasaki, conversando sobre a vida e ideologias. Criavam também poesias e declamavam-na um ao outro. À medida que a amizade se tornava mais forte, seu amigo começou a revelar seus problemas. Muitas vezes, com lágrimas nos olhos, contava a pobreza que enfrentava, o conflito familiar, a desconfiança que tinha das pessoas a dor pelo amor não correspondido.
Como um barco sem rumo, ele era arrastado pela tempestade do destino. Mesmo assim, buscava o caminho da salvação, um rumo para a sua vida. Nessa situação, começo a freqüentar um igreja cristã.
Nessa época, o jovem Daisaku Ikeda ainda não possuía nenhuma filosofia ou pensamento que pudesse transmitir coragem e convicção para seu amigo. Tempos depois, transformou a conversa que teve com esse amigo num poema e intitulou-o de "Praia de Morigasaki":
Estou com meu amigo
Na praia de Morigasaki.
Forte é o perfume do mar
Frente às ondas que se afastam.
Temos dezenove anos
Que caminhos seguiremos?
Ficamos filosofando
Enquanto as horas se vão.
Meu amigo se pertuba
No seu jeito desvalido:
"O que eu quero seguir
é o caminho de Cristo!"
No luar, os olhos brilham,
Bate firme o coração:
As ondas chegam de novo.
No barranco que desmorona
A relva ainda cresce espessa.
Não sei que insetos zunem.
Vamos compor hoje à noite
Alguns poemas ou canções?
Nossa música terá
O tom das antigas cortes?
Nada diz o meu amigo
Que caminho escolherei
Para que eu chegue a voar
Lá pelos jardins da lua?
O amigo enxuga as lágrimas.
Reparo a sua tristeza,
Sua solidão. Mas me ergo
E lhe peço que façamos
Uma jura: a de enfrentar
A vida, a de amar a vida,
Ainda que ela nos doa.
Então o amigo sorri:
"Comigo podes contar!"
Um mundo bem diferente
O meu amigo procura.
Mas eu tenho o meu caminho.
Num palco uma canção nova
Que nunca chega a seu fim
E os cabelos ficam brancos
Conversando com a lua.
Boa sorte, meu amigo.
Em nosso próximo encontro -
Quando há de ser ninguém
Sabe -
Silenciosos partiremos
Para diferentes rumos.
Onde de prata vão e vêm
Na praia de Morigasaki.
Em 1947, o Japão era controlado pelas forças de ocupação. Em meio à pobreza e privação, a sociedade japonesa sofria mudanças profundas. Em Tóquio, onde Daisaku morava, barracos eram erguidos sobre as ruínas e algumas pessoas moravam em abrigos antiaéreos.
Nesse cenário, o jovem Daisaku participou pela primeira vez, no dia 14 de agosto, de uma reunião da Soka Gakkai e encontrou-se com Jossei Toda.
Na ocasião, ele fez para Toda três perguntas: Como seria uma existência humana correta? Como se define um verdadeiro patriota ? Como o senhor encara o imperador ?
Ao ouvir as respostas simples, diretas e calorosas de Jossei Toda, o jovem Daisaku ficou impressionado com sua sinceridade e pensou que afinal tivesse encontrado um mestre e que talvez sob suas orientações compreendesse o significado da vida.
Apesar de entender a aceitar o que estava sendo exposto na reunião, Daisaku Ikeda resolveu refletir sobre o que vivera naqueles momentos e citou em célebre ditado chinês:
"Faz bem pensar mais uma vez, embora concorde; é bom pensar mais uma vez, embora discorde."
Assim dizendo, afirmou que estudaria a filosofia para aprendê-la e como prova de seu agradecimento pediu licença para recitar uma poesia.
Ó viajante!
De onde vens?
Para onde vais ?
A lua desce
No caos da madrugada;
Mas vou andando,
Antes do Sol nascer,
À procura de luz..
No desejo de varrer
As trevas de minh' alma,
A grande árvore eu procuro
Que fúria da tempestade.
Neste encontro ideal,
Sou eu quem
Surge da Terra
(1) Daisaku Ikeda, Cantos do Meu Coração. Geir Campos, trad. Editora Record, Rio de Janeiro.)
Jossei Toda ficou impressionado com o jovem Daisaku, principalmente quando ouviu o último verso do poema, pois ele não tinha conhecimento do termo budista Jiyu-no-bossatsu, que significa "emergir da Terra", referindo-se aos seguidores de Nitiren Daishonin que emergiram da Terra para propagar o Verdadeiro Budismo nesta era.
Outro fato que impressionou Toda foi que Daisaku Ikeda estava com dezenove anos e ele quarenta e oito, a mesma idade que ele tinha quando se encontrou com o primeiro presidente e fundador da Soka Gakkai, Tsunessaburo Makiguti, que na época também estava com quarenta e oitos anos.
Anos depois, quando já era líder da SGI, Daisaku Ikeda disse que se converteu ao budismo por ter confiado em Jossei Toda.
Dez dias após esse encontro, em 24 de agosto, um domingo, Daisaku Ikeda participou da cerimônia de conversão ao Budismo de Nitiren Daishonin.
Após a conversão, ele buscou entender os ensinamentos budistas e se integrar nas atividades da organização.
Em 1949, Daisaku Ikeda foi admitido como funcionário da empresa Nihon Shogakan, de Jossei Toda.
Dois anos após, em 1951, Jossei Toda tornou-se o segundo presidente da Soka Gakkai. Nessa ocasião, objetivou a concretização de 750 mil conversões a fim de crias as bases de desenvolvimento pela paz mundial e da organização.
Nesse período, Daisaku Ikeda foi morar num pequeno quarto próximo ao trabalho. A cada ano, as atividades se intensificavam. Em meio a essa batalha, ele se esforçava ao máximo, sendo o braço direito do presidente Toda. Pouco a pouco, foi assumindo responsabilidades na organização e quando os negócios de Toda entraram em crise, Daisaku permaneceu ao seu lado, mesmo recebendo o salário atrasado. Acima de tudo, Jossei Toda era seu mestre da vida e concretizar seus objetivos era sua missão como discípulo.
Foram várias as importantes etapas pelas quais a organização passou nos anos que se seguiram e que ficaram registradas na história do movimento pela paz mundial e são lembradas até os dias de hoje.
Em 1952, o objetivo de Toda de concretizar 750 famílias estava seguindo a passos lentos, demonstrando a impossibilidade de sua concretização. Então, Daisaku Ikeda foi indicado como assessor do Distrito Kamata para liderar as atividades. Nessa ocasião, ele tinha 24 anos de idade e, com sua paixão juvenil, mesmo com o corpo debilitado pela doença que ainda o acompanhava, dedicou-se intensamente à atividade de propagação do mês de fevereiro e conseguiu converter 201 famílias. Esse feito acendeu a chamada do movimento pela paz e todos os distritos, proporcionando a concretização do objetivo de 750 famílias. Por isso, o mês de fevereiro é considerado até os dias de hoje como o "Mês do Chakubuku".
Em 3 de maio desse mesmo ano, Daisaku Ikeda casou-se com Kaneko Shiraki, com quem teve três filhos.
Em 1956, foi designado como responsável geral das atividades da região de Kansai. Chegando a Osaka em 4 de janeiro, iniciou uma grande batalha, pois nessa localidade os membros eram novos de prática a não possuíam experiência em desenvolver atividades. Contudo, sob sua liderança todos se empenharam e conseguiram uma conversão inédita de 11.111 famílias em apenas um distrito. Um feito inédito no movimento pela paz mundial.
No ano seguinte, foi realizada uma eleição suplementar para o Senado em Osaka. Entretanto, um escândalo devido à compra de voto causada pelo comportamento irresponsável de alguns membros de Tóquio trouxe tumultos nos momentos finais da campanha eleitoral, levando o candidato indicado pela Soka Gakkai à derrota.
Por ser o responsável principal pela campanha, Daisaku Ikeda foi preso injustamente sob falsa acusação de mandante da compra de votos e solicitação de votos de porta em porta – atos que infringiam a lei eleitoral.
Daisaku Ikeda foi preso em 3 de julho de 1957 e saiu catorze dias depois, no dia 17. No entanto, somente em 1962 é que o julgamento foi encerrado e ele foi considerado como inocente e todas as acusações. Esse fato ficou conhecido como o Incidente de Osaka. Na realidade, por trás de tudo isso havia a ação malévola do poder político que pretendia impedir o avanço da Soka Gakkai.
Em 1958, com trinta anos de idade, Daisaku era responsável de planejamento da Soka Gakkai, e todas as atividades estavam sob sua responsabilidade, pois Jossei Toda encontrava-se gravemente doente.
Em 16 de março, foi realizada uma reunião com seis mil jovens. Nessa ocasião, o presidente Toda proferiu a sua última orientação, vindo a falecer no dia 2 de abril.
Essa reunião foi considerada como a transmissão do bastão do movimento pelo Kossen-rufu ao jovens herdeiros, mais precisamente a Daisaku Ikeda. E o dia 16 de março é comemorado anualmente como o "Dia do Kossen-rufu".
Nos últimos meses de vida do presidente Toda, Daisaku Ikeda procurou gravar em seu coração todas as suas palavras. Apesar de todo o sofrimento que sentia por saber que a vida de seu mestre estava no fim, o registro de suas palavras ficou como um testamento que ele vem cumprindo até os dias de hoje.
Daisaku continuou a liderar as atividades sufocando a dor pela morte de seu amado mestre a fim de incentivar os companheiros a dar continuidade aos ideais de Jossei Toda.
Por três vezes, foi chamado pelos diretores da Soka Gakkai, que lhe solicitaram que assumisse a presidência. No entanto, ele recusou devido à imensa responsabilidade que o cargo exigia, por ser muito jovem e por ainda estar respondendo ao processo no Incidente de Osaka.
Devido à insistência de todos e por sentir a necessidade da época, pois havia rumores de que a Soka Gakkai iria se desintegrar por ter perdido seu sustentáculo, Daisaku Ikeda aceitou a missão e assumiu como terceiro presidente da Soka Gakkai em 3 maio de 1960.
Nessa ocasião, ele disse: "Sei que sou ainda bastante jovem e inexperiente. Entretanto, a partir de hoje, representando os discípulos de Toda, peço-lhes permissão para comandar, um passo avante, a concretização do Kossen-rufu."
Cinco meses após assumir a terceira presidência, Daisaku Ikeda partiu no dia 2 de outubro para sua primeira viagem ao exterior com uma comitiva de seis dirigentes da Soka Gakkai. Levou no bolso do paletó uma foto de seu mestre com o sentimento de fazer a viagem no lugar dele.
A viagem abrangia nove cidades de três países: Honolulu, no Havaí, São Francisco, Seattle, Chicago, Nova York, Washington e Los Angeles (nos Estados Unidos) Toronto (Canadá), e São Paulo (Brasil).
Em cada uma dessas cidades, ele estruturou a organização e no Brasil fundou o Distrito Brasil, predecessor da Associação Brasil – SGI (BSGI). A partir de então, inúmeras foram as viagens realizadas ao redor do mundo em prol da paz.
Assim, a organização foi sendo estruturada em diferentes países, surgindo a necessidade da criação da Soka Gakkai Internacional, ocorrida em Guam, no Havaí, em 1975. Daisaku Ikeda passou então a ser presidente e impulsionou ainda mais o movimento em prol da paz, da cultura e da educação. Hoje a SGI está presente em 163 países e regiões e realiza atividades em prol do bem-estar da sociedade.
Daisaku Ikeda escreveu: "A grandiosa revolução humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade."
Ele comprovou essas palavras com a sua própria vida. O jovem doente que para muitos não passaria dos trinta anos e completou setenta e três anos em janeiro de 2001.
A paz a que ele devota sua vida não é apenas a ausência de guerras e conflitos, mas representa uma condição da sociedade na qual a dignidade e os direitos do indivíduo são respeitados plenamente. O presidente Ikeda sabe que a paz começa no coração das pessoas, um conceito fundamentado na convicção budista de que a vida humana contém a habilidade inerente para criar o valor e promover a harmonia entre os seres humanos e seu ambiente.
Cultura para ele é a expressão viva dessa capacidade singularmente humana. Ele também atribui caráter fundamentado à educação como um veículo para o aprimoramento do potencial à educação como um veículo para o aprimoramento do potencial do indivíduo. Educação e cultura são, nesse sentido, principais ingredientes para a concretização da paz.
O presidente Ikeda fundou várias instituições – tais como as Escolas Soka (da pré-escola à universidade), a Associação de Concertos Min-On e Museu de Arte Fuji de Tóquio – para promover empreendimentos educacionais, culturais e artísticos e dirigir intercâmbios em escala global com grupos e entidades afins.
Com o objetivo de promover o diálogo entre acadêmicos e ativistas de valores comuns, fundou o Centro de Pesquisas para o Século XXI de Boston e o Instituto Toda para a Paz Global e Pesquisa Política. O presidente Ikeda também iniciou um ampla série de programas de intercâmbios e proferiu palestras em diversas instituições de ensino ao redor do mundo, entre essas a Universidade Harvard, o Instituto da França e a Academia Brasileira de Letras.
Num ensaio, ele escreveu: "Eu cumpri o juramento que fiz ao meu mestre. Eu cumpri o juramento que fiz aos meus companheiros. Eu cumpri todos os objetivos que lancei."
Escreveu também: "Um discípulo é aquele que coloca em prática os ensinamentos de seu mestre. Um discípulo é aquele que cumpre sua promessa. Eu fiz tudo isso e esse é meu maior orgulho."
Ele prossegue percorrendo o mundo, aplicando ativamente os princípios da filosofia budista aos problemas da humanidade e empenhando-se vigorosamente para criar uma nova era o século XXI – uma era de esperança, de compreensão, de respeito mútuo e de paz e prosperidade embasadas no verdadeiro humanismo.


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