quinta-feira, 23 de julho de 2009

Os Dez Estados De Vida.

cbia3 Os Dez Estados (Jikkai) indicam os dez estados que uma única entidade de vida manifesta com o passar do tempo. O fator principal na condição essencial dos Dez Estados é a sensação subjetiva experimentada pelo “eu” nas profundezas da vida.

1. Estado de Inferno (Jigoku): Na escritura “O Objeto de Devoção para a Observar a Mente Estabelecido no Quinto Período de Quinhentos Anos Após o Falecimento do Buda”, Nitiren Daishonin diz: “A raiva é o estado de Inferno.”(The Major Writings of Nichiren Daishonin [MW], vol. 1, pág. 52.) Essa é uma condição em que a pessoa, dominada pelo impulso da raiva, é levada a destruir e criar a ruína para si e para os outros. Resumindo, esse estado é representado pelo sofrimento e desespero extremos.

2. Estado de Fome (Gaki): Consta na mesma escritura: “A ganância é o estado de Fome.” Essa condição é dominada por desejos egoístas e ilimitados de riqueza, fama e prazer, os quais nunca são realmente satisfeitos.

3. Estado de Animalidade (Tikusho): Essa escritura diz ainda: “A insensatez é o estado de Animalidade.” Nesse estado, segue-se a força dos desejos e dos instintos, sem ter sabedoria para controlar a si próprio.

4. Estado de Ira (Shura): “A maldade é o estado de Ira.” Estando consciente de seu próprio “eu” mas sendo egoísta, a pessoa não consegue compreender as coisas como são exatamente e menospreza e viola a dignidade dos outros.

5. Estado de Tranqüilidade (Nin): Na escritura “O Objeto de Devoção para a Observar a Mente Estabelecido no Quinto Período de Quinhentos Anos Após o Falecimento do Buda” consta: “A serenidade é o estado de Tranqüilidade.” Esse é o estado em que se consegue controlar temporariamente os próprios desejos e impulsos fazendo uso da razão, levando uma vida pacífica em harmonia com o meio ambiente e com as outras pessoas.

6. Estado de Alegria (Ten): “A felicidade é o mundo da Alegria.” É uma condição de contentamento e alegria sentidos quando a pessoa se liberta do sofrimento ou satisfaz algum desejo.

7. Estado de Erudição (Shomon): Os seis estados, do Inferno à Alegria, são manifestados por meio de impulsos ou desejos, mas são totalmente controlados pelas restrições impostas pelo ambiente e são também extremamente vulneráveis às circunstâncias instáveis. Por outro lado, o estado de Erudição é uma condição experimentada quando se empenha para conquistar um estado de contentamento e de estabilidade duradouro por meio da auto-reforma e do desenvolvimento. De forma concreta, Shomon é o estado no qual a pessoa dedica-se a criar uma vida melhor pelo aprendizado das idéias, conhecimento e experiências dos predecessores e contemporâneos.

8. Estado de Absorção (Engaku): Esta condição é semelhante ao estado de Erudição, uma vez que ambos indicam o empenho para a auto-reforma4. No entanto, o que distingue o estado de Aborção do estado de Erudição é que em vez de tentar aprender das realizações dos predecessores, tenta-se aprender o caminho para a auto-reforma por meio da observação direta dos fenômenos.

9. Estado de Bodhisattva (Bosatsu): Estado de compaixão em que um indivíduo devota-se à felicidade dos outros mesmo que tenha de fazer sacrifícios. As pessoas dos estados de Erudição e Absorção tendem a carecer de compaixão, chegando a extremos na busca de sua própria perfeição. Em contraste, um bodhisattva descobre que o caminho para a auto-perfeição encontra-se unicamente no ato de compaixão — de salvar as outras pessoas do sofrimento.

10. Estado de Buda (Butsu): Essa condição é alcançada quando se obtém a sabedoria para compreender a realidade máxima da própria vida, a infinita compaixão para direcionar constantemente as atividades para objetivos benevolentes, o eu eterno perfeito e a total pureza da vida que nada pode corromper. O estado de Buda é o estado ideal que pode ser atingido por meio da prática budista. Já que nenhum estado de vida é estático, não se pode considerar o estado de Buda como um objetivo final; ao contrário, essa é uma condição experimentada nas profundezas do próprio ser ao se empenhar continuamente com benevolência na vida diária. Em outras palavras, o estado de Buda aparece na vida diária como as ações de um bodhisattva — boas ações ou atos benevolentes.

Texo retirado do Estado de Buda

Budismo: A Alegria da vida.

h0150b4 O Budismo chegou ao Brasil com os primeiros japoneses. Existem várias ramificações dessa religião, e cada um trouxe a sua. Mas em Santos espalhou-se o Nitiren Shoshu, ou Budismo de Nitiren Daishonin (Buda), que hoje conta com cerca de mil famílias adeptas, das quais 90 por cento são brasileiras.

O adepto do Nitiren Shoshu aprende a viver a vida com alegria e ultrapassar qualquer problema, baseando-se na Lei de Causa e Efeito (Nam Miocho Rengue Kyo). A recitação dessa lei faz com que as pessoas se tornem felizes, sanando seus problemas espirituais e até curando doenças, desarmonia doméstica ou dificuldades financeiras.

Cada família tem o seu altar, onde está consagrado o objeto de adoração - o gohozon (um pergaminho com o Nam Miocho Rengue Kyo). Ali são feitas as cinco orações da manhã e as três orações da noite, que levam de 25 a 30 minutos, todos os dias, e também é praticado o dedaimoku (recitação do Nam Miocho Rengue Kyo), na posição correta.

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segunda-feira, 20 de julho de 2009

O que é o Juzu...

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1 - 100 - Revela o itinen sanzen. 100 = Dez Estados de Vida x Possessão Mútua dos Dez . Estados de Vida.
2 - 1.000 - Revela o itinen sanzen. 1.000 = Dez Estados de Vida x Possessão Mútua dos Dez . . Estados de Vida x Dez Fatores.
3 - CONTA-PAI - Tesouro do Buda - Nitiren Daishonin - Sabedoria subjetiva - Lei
4, 5, 6, 12 - QUATRO CONTAS MENORES - Tesouro do Sacerdote - Quatro Bodhisattvas - . . . Quatro virtudes de eternidade, felicidade, verdadeira identidade e pureza - Quatro . . . . elementos: terra, água, fogo e vento
7 - CONTA-MÃE - Tesouro da Lei - Myoho-rengue-kyo - Realidade objetiva - Mística
8 - Pingente.
9 - 10 - Revela o itinen sanzen (Dez Estados de Vida).
11 - Repositório dos benefícios.
13 - O cruzamento do juzu significa transformar os Três Caminhos (desejos mundanos, carma . . e sofrimento) em Três Virtudes (Propriedade da Lei, sabedoria e emancipação ou liberdade).
10, 14 - O comprimento do cordão entre o repositório e o pingente revela o desejo do praticante pelos benefícios.
Os benefícios que transbordam do repositório passam pelo cordão e enchem o pingente. Isso significa que os benefícios ficam retidos, ou seja, ficam acumulados. Quanto ao ato de esfregar o juzu, não há significado. Algumas pessoas fazem isso por ansiedade, para manter a concentração ou apenas por hábito. Em relação à posição para colocar o juzu nas mãos é apenas uma convenção, ou seja, colocamos o juzu com o cordão com três pingentes na mão direita e com os dois pingentes na mão esquerda por formalidade. O importante é realizar a prática de forma correta e prazerosa, utilizando seus acessórios sem mistificá-los.

domingo, 19 de julho de 2009

sábado, 18 de julho de 2009

Um Navio Para Atravessar o Mar do Sofrimento

 

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“Nos últimos dias da Lei, o devoto do Sutra de Lótus surgirá infalivelmente. Quanto maiores sofrimentos  lhe sobrevêm, maior a alegria que ele sente, devido à sua forte fé. O fogo não queima mais vivamente quando se adiciona lenha? Todos os rios fluem para o mar. Entretanto, a sua abundância faz com que os rios retrocedam? As correntezas do sofrimento desaguam no mar do Sutra de Lótus e precipitam-se contra o seu devoto. O rio não é rejeitado pelo oceano, nem o devoto recusa o sofrimento. Se não houvesse os rios fluentes não haveria mar. Do mesmo modo, sem adversidades não haveria devoto do Sutra de Lótus.

Uma passagem do Sutra de Lótus diz: ‘…como se a pessoa tivesse encontrado um navio para fazer a travessia’. Esse ‘navio’ poderia ser descrito da seguinte forma: O Lorde Buda, um construtor de navios de sabedoria infinitamente profunda, coletou a madeira dos quatro sabores e oito ensinos, projetou-o descartando honestamente os ensinos provisórios, cortou e mostrou os bordos, usando tanto o certo como o errado, e completou a embarcação usando os pregos do ensino único, supremo. Deste modo, ele lançou o navio ao mar do sofrimento. Largando as velas das três mil condições sobre o mastro da doutrina do Caminho Médio, impelido pelo favorável vento de ‘todos os fenômenos revelam a verdadeira entidade’, a embarcação navega à frente, transportando todos os praticantes que conseguem penetrar no Estado de Buda através da sua pura fé. O Buda Shakyamuni e o timoneiro, o Buda Muitos Tesouros, maneja as velas, e os quatro Bodhisattvas liderados por Jogyo (Práticas Superiores) movem harmoniosamente os remos rangentes. Esse é o navio de ‘um navio para fazer a travessia’, a embarcação do Myoho-Rengue-Kyo. Aqueles a bordo dele são os discípulos e seguidores de Nitiren.”

Nitiren Daishonin em Um Navio Para Atravessar o Mar do Sofrimento, em 1280.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. III.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Kossen-rufu

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Kossen significa “declarar amplamente”, ou seja, ensinar a filosofia budista às pessoas, ru (fluxo), de rufu, corresponde a “uma corrente como a de um grande rio” e fu (tecido) significa “espalhar-se como um rolo de tecido”.

No passado, muitas religiões eram praticadas somente por uma determinada casta ou tribo. Em contraste, uma verdadeira religião transcende as diferenças de raça ou etnia por visar à verdade universal do ser humano. Uma religião como essa tem condições de ser amplamente aceita e proporcionar felicidade à humanidade. Esse é o caso do Budismo de Nitiren Daishonin.

Segundo o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, o Kossen-rufu flui livremente para toda a humanidade como um rolo de tecido, composto por linhas verticais e horizontais, que vai sendo desenrolado e se espalha cobrindo tudo. As linhas verticais representam a transmissão do ensino de mestre para discípulo, de pai para filho, de veterano para novato. As linhas horizontais, a transmissão imparcial desse ensino, transcendendo as fronteiras nacionais, as classes sociais e todas as demais distinções. Portanto, Kossen-rufu é um movimento para transmitir o caminho supremo que conduz à felicidade e o mais elevado princípio de paz fundamentado no ensino de Nitiren Daishonin.

No Sutra de Lótus consta a predição de que após o declínio do Budismo de Sakyamuni, a Grande Lei seria revelada e propagada pelo mundo inteiro. Ao ouvir essa declaração, os discípulos de Sakyamuni e os bodhisattvas de outros mundos solicitaram a ele que lhes confiasse a missão de propagar a Lei no futuro. Porém, Sakyamuni recusou o pedido dizendo que eles não estavam qualificados a propagá-la, pois não conseguiriam resistir às extremas adversidades que estavam por vir. Foi nesse exato momento que uma multidão incalculável de bodhisattvas emergiu da terra. Eram os bodhisattvas a quem Sakyamuni havia confiado a missão de propagar a Lei.

Em exata conformidade com a profecia do Sutra de Lótus, quando os ensinos de Sakyamuni e sua prática haviam se tornado ineficazes ou perdido o poder de salvar as pessoas, Nitiren Daishonin estabeleceu o Verdadeiro Budismo, identificando o Nam-myoho-rengue-kyo como a Lei a ser declarada e propagada amplamente nos Últimos Dias da Lei. Ele incorporou sua vida iluminada na forma de um objeto de devoção, o Dai-Gohonzon. “Este Dai-Gohonzon”, ele proclamou, “foi concedido a todas as pessoas, visando à paz e felicidade de toda a humanidade.” Daishonin já havia inscrito outros Gohonzon que foram concedidos individualmente a seus seguidores, mas somente o Dai-Gohonzon foi especificamente inscrito, no dia 12 de outubro de 1279, como o objeto de devoção para as pessoas do mundo inteiro.

Nitiren Daishonin inscreveu o Dai-Gohonzon com a convicção de que todas as pessoas abraçariam a fé nele. Isso é chamado de “Kossen-rufu da entidade da Lei” (Keko no Kossen-rufu ou Hottai no Kossen-rufu). Quando a maioria das pessoas no mundo inteiro recitar o Nam-myoho-rengue-kyo, o Kossen-rufu será efetivado. Esse tempo é chamado de “Kossen-rufu da substanciação” (Kossen-rufu de Kegui) ou da ampla aceitação da fé. O próprio Nitiren Daishonin já havia realizado o Kossen-rufu da entidade da Lei ao inscrever o Dai-Gohonzon. Dessa forma, o Kossen-rufu da substanciação, ou seja, a propagação dos ensinos do Buda, é a missão de seus discípulos.

O termo Kossen-rufu consta no 23º capítulo do Sutra de Lótus, Yakuo Bosatsu Honji (Os Feitos Anteriores do Bodhisattva Rei dos Remédios), que declara: “Nos quinhentos anos após minha morte, realizem o Kossen-rufu mundial e jamais permitam que seu fluxo cesse.”

Esse feito corresponde ao cumprimento do juramento dos Bodhisattvas da Terra, conforme afirma a frase: “A princípio somente Nitiren recitou o Nam-myoho-rengue-kyo, mas então duas, três e cem o seguiram, recitando e ensinando outras pessoas. Isso acontecerá também no futuro. Não é isso ‘emergir da terra’? Sem dúvida, no tempo do Kossen-rufu a nação japonesa inteira recitará o Nam-myoho-rengue-kyo. Isso é tão certo quanto uma flecha mirar a terra e nunca errar o alvo.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 1, pág. 367.)

O termo Kossen-rufu é comumente traduzido por paz mundial, porém seu significado, como já visto, vai muito mais além, pois a paz não é simplesmente ausência de guerra. Para que a paz na sociedade e no mundo torne-se realidade é preciso que as pessoas vençam o preconceito, a ganância e o desejo de querer dominar tudo e a todos que as rodeiam. A única forma de conseguir isso é por meio da auto-reforma, ou da revolução humana, fundamentada na prática budista. E é exatamente essa idéia que o presidente Ikeda transmite no prefácio da Revolução Humana, romance de sua autoria: “A revolução humana de uma única pessoa irá um dia impulsionar a mudança total do destino de um país e, além disso, será capaz de transformar o destino de toda a humanidade.”

sábado, 11 de julho de 2009

O que significam os oferecimentos e outras formalidades no Budismo

O Budismo de Nitiren Daishonin

Essencialmente, o budismo é o ensino que nos capacita a manifestar nosso inato estado de Buda. E o objetivo da prática budista é estabelecer o estado de Buda como nossa condição de vida básica. O princípio que torna esta realidade possível, é conhecido como Lei. Enquanto, as formalidades budistas são meios para que possamos alcançar tal realidade e possamos expressar nossa gratidão por ter descoberto a forma de alcançá-lo.
Embora a Lei não seja uma criação humana, as formalidades são. Assim, podemos dizer que a Lei foi descoberta, enquanto as formalidades foram criadas no decorrer da história do budismo. Por esta razão, podemos seguir como diretrizes o tema formalidades no Budismo com as seguintes passagens do gosho de Nitiren Daishonin, "O mais importante é o coração" e "A fé é o que realmente importa".
Em toda a história budista, as mentes e corações das pessoas são expressas através do comportamento em oferecer em prol do Buda e do budismo. Com este sentimento, devemos lembrar estes pontos-chaves quando realizamos oferecimentos ao Gohonzon.

Água
O ato de oferecer um copo de água fresca ao Gohonzon (supremo objeto de adoração do Verdadeiro Budismo) tem origem na valorização que a antiga sociedade indiana tinha em relação a água - pois devido ao clima quente, as qualidades da água em purificar e refrescar eram apreciadas. Como forma de expressar nossa sinceridade na fé, oferecemos ao Gohonzon um copo de água fresca todas as manhãs, e no decorrer dos anos, o costume de remover e jogar a água, geralmente antes do gongyo (recitação do Sutra) da noite, foi se estabelecendo.

Folhas Verdes
Uma folhagem chamada shikimi tem sido oferecida tradicionalmente ao Gohonzon no Japão. Sendo originária da Índia, foi trazido ao Japão por Chin Chien-chan (688-763), um bonzon da dinastia chinesa Tang e fundador da escola budista Ritsu. O shikimi tem sido valorizado como a mais perfumada árvore no Japão e tem sido utilizada para oferecimentos diante estátuas budistas. Diz a tradição que este costume teve origem devido ao seu formato, que lembra a flor de lótus azul. Historicamente, o shikimi simboliza a vibrante força vital e a pureza eterna. Entretanto, esta descrição não é encontrada em nenhum dos escritos de Nitiren Daishonin e a formalidade em oferecer ao Gohonzon o shikimi, somente foi estabelecida após muitos anos da morte de Nitiren.
Como o shikimi não é disponível no Ocidente, outros tipos de folhagens - incluindo as artificiais - tem sido utilizadas pelos membros da SGI. O oferecimento de folhagem tem sido feito com o espírito de seguir as palavras de Daishonin: "Caso se recite o nome do buda, o sutra ou meramente se ofereça flores ou incenso, todos os seus atos virtuosos irão implantar benefícios em sua vida. Como esta convicção, deve-se transformar sua fé, em prática". Além disso, consta no Sutra de Lótus: "Os reis Brahma..levaram as flores celestiais e jogaram-nas sobre o Buda". O Sutra de Lótus também narra sobre os monumentos erigidos com a perfumada madeira de sândalo e outras plantas em homenagem ao Buda, após o seu falecimento.
O presidente Ikeda escreveu: "Há um conceito no Budismo conhecido como zuiho bini - que, enquanto não se desvia dos ensinos básicos do budismo de Daishonin, é adequado seguir as formalidades budistas de acordo com os costumes e maneiras de cada região e de acordo com a época.
Em qualquer caso, é importante manter a convicção que nossos sinceros oferecimentos ao Gohonzon constituem em atos virtuosos que irão implantar benefícios e boa fortuna em nossas vidas. O presidente Ikeda acrescenta: "No caso aonde o shikimi não é disponível, poderá ser feito o oferecimento de outras folhagens. Mesmo folhas artificiais podem ser oferecidas, pois o que importa é a sinceridade". Embora muitas escolas budistas ofereçam flores, a tradição da SGI, adotada pela tradição provinda da Nitiren Shoshu, não as utiliza. Este ato surgiu pelo simbolismo das folhagens verdes, que sugerem permanência e vitalidade - o eterno aspecto da vida que buscamos desenvolver através da prática budista. De outro lado, as flores, com o seu rápido murchar, simboliza a transitoriedade da vida. Nos escritos de Nitiren, não existe nenhuma rejeição ao oferecimento de flores, o que podemos assumir como um costume estabelecido posteriormente. Assim, não existe nenhuma razão doutrinária que proiba o oferecimento de flores.

Velas
As escrituras budistas relacionam o oferecimento de luz, como a sabedoria que dispersa a escuridão provinda da ignorância. Assim, as velas são um oferecimento de luz. Entretanto, na época de Nitiren Daishonin, as velas ainda não existiam no Japão e a principal fonte de luz, eram as lamparinas à óleo. De fato, há passagens nas escrituras de Nitiren que comprovam esta teoria: "uma lamparina brilha quando óleo é adicionado".
O significado de oferecimentos de luz é ilustrado por atos como o da mulher pobre que vendeu os seus próprios cabelos para vendê-los e comprar óleo (para o Buda) sendo que as chamas produzidas pelo seu oferecimento não foram apagadas, mesmo pelos ventos vindos do Monte Sumeru.
Tradicionalmente, velas brancas têm sido utilizadas, mas não há nenhuma doutrina que proíba o uso de outras cores. Esta é uma escolha pessoal. Embora, em locais aonde são realizadas reuniões, é aconselhável o uso do bom senso, para que seja utilizado um cor de preferência da maioria. Geralmente, velas muito coloridas podem distrair as pessoas deixando que elas consigam concentrar no Gohonzon.
Além disso, em locais aonde haja perigo de incêndio, é desaconselhável o uso de velas. Atualmente, muitos membros utilizam velas elétricas. Em suma, o que importa é o nosso sentimento em iluminar em honrar a área diante do Gohonzon.

Incenso
O incenso representa um oferecimento de fragrância. Como fragrância, o incenso era utilizado em ambientes quentes e úmidos com o objetivo de dispersar o odor e proporcionar uma atmosfera agradável. Assim como todos os oferecimentos, o incenso é uma expressão de gratitude - não uma regra. Se uma pessoa é alérgica ou não aprecia o cheiro de incenso, não é necessário acendê-lo. Para aqueles que estão preocupados com os efeitos nocivos à saúde ao inalar fumaça em excesso, é aconselhável evitar acender velas e incensos em ambientes confinados ou com pouca ventilação.
Algumas escolas budistas acendem incensos de pé. Nossa tradição tem sido de queimá-los na horizontal. Esta também, não é uma questão doutrinária, embora algumas explicações tenham sido acrescentadas no decorrer dos séculos pelos clérigos.
Em ocasiões especiais e missas para falecidos, há o oferecimento de três pitadas de incenso em pó sobre uma brasa. Embora, em certas ocasiões, somente uma pitada é oferecida. Elas simbolizam as três formas na qual o carma é criado - pensamentos, palavras e ações.

Sino
O sino representa o oferecimento de som. Por esta razão, é melhor buscar um som agradável ao tocar o sino. Assim, é aconselhável evitar tocar o sino muito forte. Não existe nos escritos de Nitiren Daishonin, uma descrição sobre a maneira específica de tocar os sinos, embora este assunto tenha sido enfatizado pelo clérigo. O presidente Toda declarou: "Tocar o sino durante o gongyo é um ato de proporcionar o bem-estar ao Buda. Assim, o sino não deve ser tocado de forma leviana. Nós também usamos o sino como um sinal para os outros, quando recitamos com um grupo de pessoas."

Grou
O grou com as asas em forma de círculo foi adotados pela Nitiren Shoshu durante o período Edo (aproximadamente 300 anos atrás) como um símbolo desta escola a ser utilizado nos documentos oficiais do regime Tokugawa. Recentemente, dois acessórios em forma do grou são posicionados diante do Gohonzon, mas não simbolizam nenhum oferecimentos. Como uma expressão de rejeição ao clero da Nitiren Shoshu, alguns membros utilizam um acessório em forma de lótus com oito pétalas, que é o símbolo da Soka Gakkai. Em nenhum dos casos, há um significado doutrinário e são utilizados somente para decorar e dignificar o oratório. Não é essencial ser usado.

Alimentos e Bebidas
No Japão, um taça com arroz cozido é geralmente oferecida diante do Gohonzon durante a refeição e bolinhos de arroz (mochi) são oferecidos no dia do Ano Novo. Na carta de Ano Novo de Nitiren Daishonin há menção sobre o oferecimento de bolinhos de arroz, pois este tem sido o alimento básico de muitos países asiáticos, e por esta razão, é natural que tenha sido usado como um oferecimento budista.
Frutas também tem sido um oferecimento comum em muitos países, talvez porque não seja um alimento que pereça rapidamente. No dia do Ano Novo e outras datas significativas, é comum no Japão oferecer duas garrafas de sake (destilado feito à base de arroz). Como declarou o 28th Sumo Prelado, Nichiu, no seu "Sobre as formalidades": "Desde que a sinceridade é expressa através do ato de oferecer sake dentro da sociedade secular neste país, a sinceridade no Budismo também pode ser expressa através do oferecimento de sake".
Como mencionado acima, o oferecimento de alimentos e bebidas são significativos quando feitos com sinceridade. A escolha do alimento pode ser uma questão de preferência cultural e pessoal. Como temos visto, as formalidades budistas são derivadas das culturas indiana, chinesa e japonesa e desta maneira, irá envolver outras culturas locais no decorrer dos tempos.

Oratório
Com o objetivo de manter nossa concentração no Gohonzon, é adequado manter o ambiente ao redor do andar sempre limpo e não colocar inúmeros ítens desnecessários dentro do altar. Embora, seja compreensível que se deseje colocar algo íntimo - como a foto de algum familiar - perto do oratório, como forma de sempre nos lembrar desta pessoa em nossas orações.

Juzu (rosário budista)
O rosário budista é um acessório budista tradicional. Não é conhecido que tipo de rosário era utilizado por Nitiren Daishonin. Embora, um grande número de significados tenham sido posteriormente adicionados. Essencialmente, o rosário é somente um instrumento que nos auxilia em nossa prática budista.
A respeito do ato de esfregá-lo ou não em nossas orações, não há uma clara explicação sobre este ponto. Devido ao budismo de Nitiren Daishonin não ser restringido por rígidas formalidade, é incorreto dizer que não se deve esfregá-los, mas devemos ter em mente que o ato de esfregar continua e vigorosamente pode demonstrar um hábito gerado pelo nervosismo, que poderá atrapalhar a nossa concentração e daqueles que estão ao nosso redor. No último capítulo do Sutra de Lótus, consta a passagem: "Sente-se ereto e pondere sobre a realidade última". Assim, com o objetivo de alcançar a mais plena satisfação em nossas orações, é melhor sentar-se de forma calma e sem emoções excessivas enquanto oramos.
Desde que utilizamos o rosário como parte de nossa prática budista, é aconselhável tratá-lo com respeito. Caso ele se quebre, não há problema em jogá-los for a, o mesmo pode ser dito em relação aos sutras antigos que não iremos usar mais.

Outras formalidades
Existe um princípio budista chamado zuiho-bini , ou seja, ou a prática do budismo de acordo com a condição e cultura do local. Assim, o budismo de Nitiren Daishonin foi introduzido no Ocidente por praticantes que imigraram do Japão. Este ponto deve ser sempre lembrado. Entretanto, é importante reconhecer que este pioneiros trouxeram consigo algumas formalidades que eram natural dentro do contexto da cultura japonesa, mas não podem ser estritamente aplicados em outras culturas.
Por outro lado, não é possível simplesmente rejeitar as formalidades, mas sim, devemos observá-las como uma expressão de sinceridade. Pois, caso as rejeitarmos totalmente, poderemos enfraquecer nossa própria fé e prática e consequentemente, nosso crescimento. Em outro extremo, se insistirmos sob a égide de uma rígida formalidade não haverá espaço para ações espontâneas que irão desenvolver nossa prática.
Em qualquer caso, a essência do budismo reside sempre em desafiar a si mesmo e fazer emergir o nosso estado de Buda, não de adotarmos um ritual religioso cheio de cerimônias. Naturalmente, o elevado estado de vida que alcançamos através da prática budista pode ser refletido nos atos de sinceridade expressos no comportamento individual. Neste sentido, a qualidade de nossos oferecimentos e a prova real em nossas vidas são um claro espelho da condição de nossa fé.

Conclusão
O presidente Ikeda referiu-se sobre a relação dos ensinos budistas e as formalidades: "O ensino essencial no budismo de Nitiren Daishonin é recitar o Nam-myoho-rengue-kyo ao Gohonzon. Estudá-lo e propagá-lo são de significado ímpar no âmbito da prática da fé. Todas as outras questões pertencer ao campo da formalidade, na qual varia de acordo com a condição da época.
O budismo de Nitiren Daishonin é seu correto caminho de prática é uma filosofia convincente para qualquer pessoa nos dias de hoje. Desde, que Nitiren Daishonin será sempre o buda dos Últimos Dias da Lei, ele não iria propor um ensino que não fizesse senso para gerações futuras".
Por esta razão, as formalidades concernentes ao ato de oferecimento ao Gohonzon devem ser facilmente compreensíveis para aqueles que vivem no local onde o budismo está sendo propagado. (WT-16 de abril).